Seja Bem Vindo, 20 de Agosto de 2018
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Gente com rosa na lapela

Contado por MAX LUCADO (Recontada Alice Gray)

John Blanchard levantou-se do banco ajeitou o uniforme do exército e observou a multidão que tentava abrir caminho na Estação Ferroviária Central de Nova York. Procurou avistar a moça cujo coração ele conhecia, mas não o rosto – a moça com a rosa.

Seu interesse por ela começara 13 anos antes, em uma biblioteca da Flórida. Ao retirar um livro da estante, ele ficou intrigado, não com as palavras impressas, mas com as anotações escritas à mão na margem. A letra delicada indicava ser de uma pessoa ponderada e sensível. Na primeira página do livro, ele descobriu o nome da proprietária anterior: Srta. Hollis Maynell.

Depois de algum tempo de várias tentativas, conseguiu localizar o endereço dela. Morava em Nova York. Escreve-lhe uma carta apresentando-se e propondo uma troca de correspondência. No dia seguinte, ele foi convocado para servir em uma base do outro lado do oceano. Era a Segunda Guerra Mundial. Durante os 13 meses seguintes, os dois passaram a se conhecer por correspondência. Cada carta era uma semente caindo em um coração fértil. Florescia um romance.

Blanchard pediu uma fotografia, mas ela recusou-se a enviá-la. Achava que, se ele realmente gostasse dela, não haveria necessidade de fotografia.

Quando ele retornou da Europa, marcaram o primeiro encontro às 19 horas na Estação Ferroviária Central de Nova York.

“Você me reconhecerá”, ela escreveu, “ pela rosa que estarei usando na lapela.”
Assim, às 19 horas, Blanchard estava na Estação à espera da Moça cuja o coração ele amava, mas cujo rosto nunca vira.

Deixemos que o próprio Blanchard conte o que aconteceu.

Em minha direção vinha uma jovem alta e esbelta. Seus cabelos loiros encaracolados caiam pelos ombros, deixando à mostra delicadas orelhas; os olhos eram azuis da cor do Céu. Os lábios e o queixo tinham uma firmeza suave; trajando um costume verde claro, parecia a própria chegada da primavera. Comecei a caminhar em sua direção sem notar que não havia rosa em sua lapela. Quando me aproximei, um sorriso leve e provocante brotou-lhe nos lábios.

- Gostaria de me acompanhar, marujo? – Ela murmurou.
De maneira quase incontrolável dei um passo em sua direção, e foi então que avistei Hollis Meynell.

Ela estava em pé atrás da jovem aparentava bem mais de 40 anos, e seus cabelos, presos sob um chapéu surrado, deixavam entrever alguns fios brancos. Seu corpo era roliço, tinha tornozelos grossos e usava sapatos de salto baixo. A moça de costume verde claro distanciava-se rapidamente. Senti-me dividido, desejando ardentemente segui-la, mas, ao mesmo tempo, profundamente interessado em conhecer a mulher cujo entusiasmo me acompanhara e me sustentara.

E lá estava ela. Seu rosto redondo e pálido estampava delicadeza e sensibilidade; os olhos cinzentos irradiavam meiguice e bondade. Não hesitei. Peguei o pequeno livro azul, de capa de couro, para me identificar. Não seria um caso de amor, mas poderia ser algo precioso, algo talvez melhor que amor, uma amizade pela qual eu era e seria eternamente grato.

Endireitei os ombros, cumprimentei e entreguei o livro à mulher, apesar de sentir-me sufocado pela amargura de meu desapontamento enquanto lhe dirigia a palavra.
- Sou o tenente John Blanchard, e você deve ser a Srta. Maynell.

Estou satisfeito por você ter vindo encontrar-me. Aceita um convite para jantar?

No rosto da mulher surgiu um sorriso largo e bondoso.

fernando.jpg- Não sei do que se trata filho – Ela respondeu – mas a jovem de costume verde, que acabou de passar por aqui, pediu-me que usasse esta rosa na lapela. Instruiu-me também que, se você me convidasse para jantar, eu deveria dizer que ela está à sua espera no restaurante do outro lado da rua. Ela me contou que se tratava de uma espécie de teste!

Não é difícil compreender e admirar a sabedoria da Srta. Maynell...


Fonte: Templo da Adoração
contato@templodaadoracao.com.br

 

 

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